Há um silêncio que pesa mais do que qualquer palavra.
Ele se instala nos cantos da alma, onde a saudade se acumula como poeira, onde o coração lateja lembranças que não sabem morrer.
O mundo continua girando, indiferente, mas dentro de nós há ruínas que ninguém vê. São promessas quebradas, olhares que se perderam, abraços que ficaram suspensos no tempo. E cada ausência se torna um eco interminável, um vazio que insiste em nos acompanhar.
Estar seguro por dentro é quase um milagre, porque a vida nos arranca pedaços sem pedir licença. Ainda assim, buscamos refúgio em memórias, em rostos que já não estão, em gestos que se apagaram, como quem tenta aquecer-se com brasas que já não queimam.
A melancolia nos ensina que amar é também perder, que guardar é também sofrer, que sobreviver é carregar cicatrizes invisíveis. E, mesmo quando tudo parece desmoronar, há uma estranha beleza em reconhecer que o coração, mesmo ferido, continua batendo mesmo que seja apenas para lembrar do que já não volta.

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