Páginas

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Nas Coisas Que Permanecem


 Há certas coisas que não precisam de explicação, porque vivem no espaço entre o olhar e o silêncio. São gestos mínimos, quase imperceptíveis, mas que carregam o peso de um universo inteiro. O toque de uma mão, o riso que escapa sem querer, a pausa antes de dizer adeus. É nesses detalhes que a vida se revela, não nos grandes acontecimentos, mas naquilo que passa despercebido para quem não sabe olhar.

Essas coisas certas são frágeis, mas também eternas. Elas não pedem reconhecimento, não exigem aplausos. Apenas existem, como se fossem a linguagem secreta entre duas almas que se encontram. E quando o mundo parece desmoronar, são elas que sustentam, lembrando que ainda há beleza naquilo que é simples.

O coração não guarda datas, nem títulos, nem conquistas. Ele guarda instantes. A forma como alguém pronuncia nosso nome, o jeito como a luz atravessa a janela numa tarde qualquer, o silêncio confortável que não precisa ser preenchido. São essas memórias invisíveis que constroem quem somos, que nos lembram que amar não é sobre grandiosidade, mas sobre presença.

E talvez seja isso que nos salva: perceber que não precisamos de tudo, apenas dessas coisas certas. Porque no fim, são elas que permanecem quando o resto se desfaz.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...