Há um silêncio que ninguém escuta.
Um peso que ninguém vê. A bipolaridade é um palco secreto, onde a alma se rasga em extremos, mas o corpo aprende a sorrir para não assustar.
Nas crises, o mundo se torna um espelho quebrado: cada fragmento reflete uma dor diferente, um grito que não pode ser ouvido, porque mostrar seria perder perder o pouco de normalidade que ainda nos resta.
A escuridão não pede licença,
ela invade, domina,
transforma o peito em cárcere.
E o mais cruel não é o caos interno,
mas a obrigação de esconder,
de fingir que nada acontece,
de vestir a máscara que protege os outros
enquanto nos sufoca por dentro.
Ninguém enxerga o tremor da mente, o deserto que se abre sob os pés, a vertigem de existir em dois mundos que nunca se encontram. E assim, aprendemos a calar, a engolir tempestades, a sorrir com os lábios rachados pela dor.
A bipolaridade é uma guerra sem testemunhas. E na escuridão, somos ao mesmo tempo vítimas e carcereiros de nós mesmos.

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