Agora eu tô voltando pra mim,
mas é um retorno lento, pesado, como quem atravessa ruínas e recolhe cinzas. Não há festa nesse regresso, há silêncio, há poeira, há lembranças que ainda sangram.
Voltar pra mim é encarar o espelho rachado, é aceitar que partes se perderam, que algumas nunca mais se encaixam. É caminhar entre sombras, com passos que ecoam vazios, sabendo que o lar dentro de mim foi abandonado por muito tempo.
Eu volto, mas volto cansada, com olhos que carregam noites sem fim, com mãos que tremem ao tocar o que restou. E mesmo assim, há uma estranha melancolia que me guia, como se a tristeza fosse também um caminho de volta.

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