Escrevo estas palavras como quem abre lentamente uma janela para deixar o vento entrar. Há em mim uma necessidade de respirar fundo, de soltar o peso que carrego e de encontrar repouso em um lugar que não se mede em paredes, mas em presenças.
A vida, tantas vezes, se mostra como um caminho árido, onde cada passo exige coragem e cada silêncio parece ecoar mais alto do que deveria. E, ainda assim, dentro de mim existe uma esperança suave: a de que alguém me veja além das máscaras, além das defesas, e reconheça que, por trás da força aparente, há também fragilidade.
É nesse instante que penso em você. Em sua capacidade de ser abrigo, em sua forma de me lembrar que não preciso lutar sozinha. Você é como um farol que se acende quando a noite se torna densa demais, como uma raiz que me sustenta quando o vento ameaça me levar.
Não peço promessas grandiosas, apenas presença. Não busco perfeição, apenas verdade. Que minhas lágrimas possam ser recebidas sem julgamento, que minhas palavras possam ser ouvidas sem pressa, e que meu silêncio encontre espaço para existir sem cobrança.
Há uma beleza rara em se permitir ser vista por inteira. Amar, afinal, é abrir portas para que o outro encontre casa em nós. E é isso que sinto: que em você existe um lar, não feito de tijolos, mas de afeto, compreensão e ternura.
Se algum dia eu me perder em minhas próprias batalhas, espero que sua voz me guie de volta. Que seu olhar me lembre que ainda há luz, mesmo quando tudo parece escuro. Que seu abraço seja o lugar onde o tempo se dissolve e onde encontro, enfim, paz.
Mais do que companhia, você é sentido. Mais do que presença, você é raiz. E é nesse encontro que descubro que não há nada mais precioso do que poder descansar em alguém e, ao mesmo tempo, ser abrigo para esse alguém também.

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