O peso do mundo nas costas de quem não sabe mais o que é viver. Dorme porque não tem direção, acorda porque não tem outra opção. O peso do mundo das costas de quem escuta a chuva cair e se conforma que a maior tempestade é dentro de si. O peso do mundo nas costas de quem sabe que a vida continuaria perfeita sem que você precise viver. Lá fora, os carros, as pessoas, os animais, as árvores... E você aqui dentro sentindo o peso do mundo lhe sufocar por completo. Insignificante. O mundo lhe faz carrega-lo nas costas, mas ele sequer se lembra de você. O escuro do quarto não incomoda mais porque você enxerga tudo preto até quando está de olhos abertos. É claro que você sabe muito bem que coisas boas existem, mas não faz mais sentido viver. O peso do mundo nas costas de quem sabe que enxergar tudo cinza não é uma metáfora para a depressão. É real. Tudo cinza, nublado, o cheiro do fracasso vindo direto para as suas narinas. Não existem metáforas pra depressão. É solitário, é frio, é assustador, é desesperador, é escuro e você vive isso. Você vive o gelado, o desespero, a névoa que lhe segue para qualquer lugar. Você sente o peso dos seus ossos porque você entende que metáforas não são necessárias para descrever algo vivo. A depressão tão mais viva que você. O peso do mundo nas costas de quem se quer faz parte dele.
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